
-UMA MENSAGEM PARA SHEN-
Quarenta e nove minutos já haviam se passado desde quando o Brian pegou o taxi. O taxista, ouvindo uma música dos Rolling Stones e olhando para o Brian como se quisesse que ele prestasse atenção no sotaque estranho de inglês. Brian olhava pela janela como se estivesse contando se concentrando para decifrar o que a senhora Atezumi havia dito. Cada vez mais se afastava daquela paisagem colorida do centro de Tóquio e se aproximava de uma áera árida e não tanto habitável. Até que começou a mudar de novo. Morros completavam a paisagem agora.
Cada vez mais parecia ser estranho. Como um hospital poderia ser tão distante?? Como alguém tão ferida poderia ser transferida tão rapidamente?? Muitas dúvidas. Brian, curioso até o fim, queria desvendar tudo isso. Mesmo desconfiando que estaria correndo um sério risco...
Finalmente chega ao tal hospital Shimmuki. No alto de um morro, mas parecia uma grande universidade sombria. A tarde já estava caindo e o sol se escondia lentamente no horizonte. O céu estava misteriosamente vermelho. Nada se ouvia naquele lugar.
Brian pagou o taxista e mais uma vez ele jogou alguns dólares e nem olhou para trás. Naturalmente que o taxista ficou olhando e falando algo totalmente indecifrável e depois saiu e sumiu morro abaixo. Brian seguiu até uma das portas enormes do hospital. Entrou na recepção e avistou uma única recepcionista. Ela estava lendo concentrava. Imóvel. Brian ficou com receio de assustá-la ao chegar no balcão.
-Desculpe. Gostaria de uma informação, por favor!- disse calmamente Brian
A recepcionista levantou lentamente a cabeça e olhou be nos olhos dele. Ajeitou os óculos e respondeu calmamente.
-Pois não, senhor??- disse misteriosa e com um inglês perfeito
-Quero saber se foi aqui que trouxeram uma paciente do hospital do centro da cidade?? Uma paciente bastante ferida. Recém-operada!- perguntou Brian
A recepcionista respirou. Fechou o livro e levantou da cadeira. Olhou ainda mais intensamente nos olhos azuis do Brian como se quisesse desvendar sua vida. Brian ficou desconfortável, mas não se intimidou.
-Senhor, há uma paciente com essas descrições, sim. Mas não pode receber visitas, pois está em observação. Somente os parentes podem visitá-la-disse com bastante segurança a recepcionista
-Não sou parente dela, mas estou coom os documentos dela aqui e preciso entregar-lhe. Posso vê-la no quarto?? -insiste perigosamente Brian
A recepcionista, dando uma risadinha irônica, pergunta:
-Posso ver os seus documentos, estrangeiro?- pergunta secamente
Brian, num ato imediato, abre a carteira e fica prestes a fazer algo que nunca pensava que teria que fazer. Disfarçando, passando entre os dedos alguuns cartões, ele tira a sua identidade e entrega sorridente para a recepcionista, que analisa e leva para uma sala atrás da recepção. "Sempre achei que um dia essa minha carteira falsa de identidade iria me servir em algum momento", pensou Brian com aquele sorriso irônico. Ficou esperando a recepcionista voltar.
Era incrível como aquele lugar não parecia em nada com um hospital. Ainda não não tinha visto sequer uma enfermeira andando pelos corredores. Nada de pacientes em macas, telefones tocando, ambulâncias chegando. Nada disso atpe aquele momento.
Estava claro que tinha algo muito errado ali.
A recepcionista volta. Ela já não estava com aquele ironia toda na cara. Parecia decepcionada.
-O senhor pode entrar para ver a paciente somente pelo vidro externo.- disse e sentou na cadeira para voltar a ler o livro.
Nada surpreso, Brian ficou parado na frente do balcão eperando alguém para levá-lo até o quarto. Naturalmente.
-Ninguém vai me levar até o quarto?-pergunta inocente Brian
A recepcionista levanta a cabeça impaciente e responde;
-Está vendo alguém aqui?? Siga o corredor à esquerda e vai dar direto no quarto da paciente-respondeu rispidamente e voltou aler como se nada tivesse acontecido
Brian riu e guardou a identidade (falsa) na carteira e seguiu pelo corredor. Era o único corredor. Lugarzinho bem estranho para ser um hospital, por sinal. Logo chegou até o quarto com vidro. Era fãcil, pois era o único quarto ali. Ainda mais esquisito.
A garota estava lá mesmo. Dormindo e sem tubos. Não havia ninguém por perto. Brian arriscou abrir a porta, mas estava trancada. Lembrou que tinha um molho de chaves em suas coisas também. Não, ele não saia por aí arrombando casas para roubar para ter tantos modelos de chaves na bolsa. É que ele sempre perdia as chaves de casa ou saia e deixava a chave na porta. Coisas típica de Brian. Típico de novaiorquinos apresssados e desesperados.
E não é que ele conseguiu abrir a porta? Fez festa com a vitória e entrou rapidamente. Ainda ninguém passava pelo corredor. De fato, o quarto parecia bem um quarto de hospital. Bem diferente do resto do prédio, que mais parecia uma escola de monges de tão silencioso que era.
Brian se aproximou da cama e pode ver mais de perto o rosot da mulher. Não. Era uma jovem. Uma bela jovem de olhos bem pequenos. Ela tinha a pele bem branca e rosada nas bochechas. Aparênci saudável e alegre. Deveria ter uns 20 anos, no máximo. Mãos delicadas e pequenas. Cabelos longos e negros, como toda japonesinha simática. A boca pequena e desenhada. Rosto delicado e meigo. As marcas da violência não tiravam as sua beleza oriental. Brian ficou olhando apaixonadamente para aquela garota com se fosse a primeira vez que tivesse visto uma garota. Ele se apaixonara pela primeira vez em um típico amor à primeira vista. E ela ainda nem havia aberto a boca sequer.
Brian não teve dúvidas. Tirou a máquina velha da bolsa e tirou uma foto da garota. Nem havia se tocado, mas o flash a fez mexer os olhos lentamente. Brian, escondeu rapidamente a máquina e ficou quieto. Foi até a porta, pois ouvira um barulho.
Ninguém nos corredores ainda. Um sussurro fez com que Brian levasse um susto e virar para olhar. A garota havia aberto os olhos. Mas que depressa, Brian foi até próximo a cama para tentar falar com ela. Ela tentava abrir os olhos e piscava, mas não conseguia ver o rosto de Brian nitidamente. Ela começou a falar palavras endecifráveis para Brian. Em dialeto local, naturalmente. Brian arriscou falar em inglês com ela:
-Ei? Voçê está bem? Lembra de mim? Eu salvei voçê daqueles homens mascarados!-pergunta agitando-a
A garota fica confusa e tenta tocar nas mãos de Brian, que fica surpreso. Ela tenta
falar algumas palavras em inglês:
-Voçe tem que me ajudar! Voçê deve levar um recado para um senhor chamado Shen. Shen Jim. Por favor, leve um recado para Shen Jim por mi..-implorava quase desfalecendo a garota
Brian estava atônico, mas tentava entender o que ela estava dizendo
-Quem é Shen Jim?? Onde posso encontrá-lo? Qual é o seu nome?-perguntava nervoso
-Voçê só precisa encontra Shen Jim e levar esta mensgem para ele. Ele mora em Ramurai.Entregue isso a ele, por favor-ela sussurra cansada e entrega o bilhete a Brian
-Me diga ao menos o seu nome-pergunta inocente e preocupado
-Meu nome é...-suspira as últimas palavras antes de desmaiar
Brian fica sem ação. Ele tenta reamiá-la, mas é em vão. Algo faz com que uma sirente seja acionada e surgem pessoas no corredor. A recepcionista entra no quarto e fica surpresa ao ver Brian. Outros 3 homenes de preto, não lembrando em nada enferemeiros, entram também. Brian tenta explicar, mas é em vão. Os três se aproximas dele. Foi nesse momento que ele pensou que jogar coisas não ia adiantar muito. Talvez ele fosse tomar a pior surra da sua via. Fecou os olhos e sentiu uma espetada gelada de uma agulha no estômago. Rapidamente a sua cabeça foi ficando pesada e tudo girava sem para. Até que ele perdeu a consciência de vez.
A inconsciêcia leva ao nada. Um vazio toma conta do corpo. Foi mergulha num gelo e não sente mais as sensações do mundo. É o que chamam de perda total da consciência. Brian estava mergulhado nesse imenso vazio.
-FLORES E LENÇO NEGRO-
Mesmo o ronco doído de fome que ecoava em seu estômago não impediu que Brian esperasse até que as fotos fossem reveladas. Ficou parado ali por uns 40 minutos. Muito tempo, pensou.
Quando o jovem atendente voltou ele teve certeza de que alga estava errado. O garoto, que sabia falar algumas palavras em inglês, mostrava ao Brian que o filme havia sido danificado. Claro, com o arremesso que deu para evitar que mulher fosse morta. Sem contar que os 'mascarados' devem ter cuidado em 'destruir a prova do crime'. Mas isso, de 'destruir a prova do crime', não era coisa que acontecia nos EUA, em especialmente em NY??? Não, não. Essas coisas também aconteciam em Tóquio: a cidade mais interessante naquele momento para Brian.
O garoto ficou olhando para Brian com uma cara de curiosidade. Brian, que ficou parado com a mão no queixo, estava pensando em como tentar descobrir as identidades dos bandidos. Depois de uns 30 segundos, ele virou de tirou 20 dólares para o garoto, que ficou com vontade de perguntar para Brian porque diabos ele não tratou de trocar pela moeda local.. Brian não tinha noção de que tinha que trocar. Ele tinha saído da América, mas a América não tinha saído dele. Manias que tinha que mudar.
No caminho de volta, Brian pesnou em voltar ao local da briga. Foi o que fez. Não sabia o nome da rua, mas sabia extamente como era a rua. A vantegem era que as ruas de Tóquio eram únicas. Nunca uma igual a outra. Talvez os japoneses fossem preocupados em não ser igual ao vizinho.
Conseguiu chegar à tal rua silenciosa. Bastante silenciosa. Avistou a bela árvore de flores roxas que formavam um tepete no chão. Lembrou que estava fascinado tirando milhares de fotos daquele belo verde. Começou a andar pela rua em que a mulher estava sendo agredida. Nem sinal de sangue, pétalas caídas ou qualquer outro tipo de vestígio da violência. Mas algo chamou a atenção de Brian. Um lenço preto jogado no chão a alguns metros dali.Certamente seria que um dos mascarados. Rapidamente pegou o tal lenço. Haiavia algo escrito em uma letra vermelha. Deveria ser algo em dialeto japonês. Guardou aquilo como se fosse um perito criminalista encontrando uma prova. Brian estava se sentindo o 'próprio investigador criminal'. E era isso que iria fazer. Falar com a polícia. So, que, para isso, teria que saber onde ficava uma delegacia. E tinha que tomar um banho e trocar de roupa. Voltou ao albergue rapidamente.
Ao chegar, logo na porta, fez com as pessoas gritassem de medo ao ver a enorme mancha de sangue em sua camisa.
-Calma, gente. Eu estou bem. Este sangue não é meu. É de uma mulher que estava sendo agredida!!!- falou calmamente
Algumas senhoras que estavem conversando com senhora Atezumi saíram correndo, claro. Brian foi arrastado por ela até o banheiro. Brian estava tentando dizer que estava tudo bem, mas senhora Atezumi estava nervosa demais para entender o que ele estava dizendo.Era até engraçada aquela situação, mas nada que tirasse a preocupação de Brian. Nem mesmo o fato da dona Atezumi estivese tentando lhe dar banho.
-Brian, voçê quase me matou de susto. Aqui nós nunca tínhamos visto nada parecido!-disse com aquele sotaque engraçado e cuidadoso
-Não se preocupe, senhora Atezumi. Estou bem, mas a mulher eu não sei. Ele estava muito ferida- disse preocupado
Ao final, já limpo e com roupas novas, Brian pegou o lenço preto e ficou tentando desvendar o que aquela letra significava. 'O que isso quer dizer?', se perguntou em voz alta.
A senhora Atezumi bateu à porta e entrou trazendo roupas de cama limpas. Brian colocou o lenço em cima da mesa e foi ao banheiro. Ao ver o lenço, a senhora Atezumi deixou cair a colcha de cama. Ela pegou o lenço como se estivesse pegando a coisa mais assustadora do mundo.
Brian percebe que ela ficou assustada e pergunta:
-A senhora sabe o que isso quer dizer?? O que está escrito??-perguntou Brian
-Onde voçê encontrou este lenço, Brian???- perguntou nervosa
-No mesmo lugar em que a mulher foi agredida-
-Não é possível!!! Isso não pode ser verdade- disse a senhora Atezumi, em japonês.
-O quê??? Não estou entendendo! Por favor, fale na minha língua, senhora- pedia, confuso
-Brian, voçê não sabe o quanto voçê correu perigo de vida, meu rapaz!- disse muito séria
-Haviam 7 homens mascarados e apenas um não usava máscara. Talvez esse lenço pertença a um deles-conta Brian
-Voçê é um estrangeiro e não tem nada a ver com isso, Brian. Vá para casa o mais rápido possível. Volte para os EUA ou algo de muito ruim pode acontecer com voçê- avisa senhora Atezumi
-Quem são eles??-pergunta inocente Brian
-Só digo a voçê que vá embora o mais rápido possível. Volte para seu país e não volte nunca mais..-disse ainda mais séria
Antes que ele saíssem do quarto, Brian perguntou novamente:
-Por favor, senhora Atezumi, me diga o que está escrito neste lenço!-implorou Brian
-Está escrito: KOROU KASAMOTO- CORPO E SANGUE- respondeu pausadamente e saiu
Brian ficou parado tentando entender o que o 'CORPO E SANGUE' significaria naquelas
circunstâncias. Porque teria que ir sair desesperadamente de Tóquio?? Voltar para os EUA sem nem aproveitar as férias??? Quem seria 'KOROU KASAMOTO'?? E porque aquela mulher, que parecia ser tão indefesa, estaria para ser morta por aqueles 'mascarados'??? Muitas dúdidas. Muitos avisos da senhora Atezumi. Nenhum Brian para obedecer.
Ao voltar ao hospital, Brian pede para ver a mulher. Ao chegar ao quarto onde ela estava internada havia outra pessoa. Ele procura algum enfermeiro para informações. Até encontrar um.
-Ei, por favor? Preciso saber onde está a mulher que acabou de fazer uma cirurgia??? Ela está bastate ferida-
-A mulher que foi operada?? Ela foi levada para outro hospital-respondeu o enfermeiro em um quase perfeito inglês
-Por quem??? Para qual hospital???-pergunta Brian
-Não sei dizer. Voçe é parente dela??-perguntou ironicamente o enfermeiro
-Não mesmo. Olha preciso devolver algumas coisas pessoais dela. Tem como me passar o endereço do hospital que ela foi levada?-Brian pergunta astuto
-Deixa eu ver se encontro nas fichas de saídas aqui da recepção. Um monento- disso olhando pesadamente para Brian
Brian ficou impaciente com a demora do enfermeiro.
-Ela foi para o Hospital Shimmuki, em Hoteraro. É um hospital particular. Duas horas daqui-respondeu firmanente o enfermeiro
-Duas horas??? Porque mandaram-na para um hospital tão longe?-interrogou Brian inocente
-Já disse que não sei quem a levou, estrangeiro. Se for tudo, tenho que voltar ao trabalho-falou com mais ironia ainda
-Isso é tudo sim. Obrigada pela gentileza-respondeu Brian sem revidar a frieza do enfermeiro
Brian pegou um táxi e foi direto até Hoteraro. Ainda não conseguia entender como alguém tão debilitada poderia ser transferida de um hospital para outro. Lembravas da palavras da senhora Atezumi e começava a sentir que ela estava certa. Sentia um medo. Mas a curiosade de Brian não estava nem um pouco interessada em deixar o medo tomar conta do pedaço. Brian estava indo procurar um mulher que salvou e que nem sabia o nome ainda...Isso dava mais medo.
Brian Weyyle, tinha 22 anos quando foi pela primeira vez ao Japão. Jovem estagiário de uma firma de propaganda em Nova Iorque nos EUA, estava, pela primeira vez, desfrutando as suas férias internacionais. Nada de trabalho pelo menos por umas duas semanas...Muita empolgação para as grandes descobertas em Tóquio.
A divertida Rua Orishiga, onde estava hospedado, mais parecia uma vitrine de letras e cores. Indecifráveis para ele. Difícil seria ele se hospedar no glamuroso Hotel Hammura, como lhe indicaram. Isso era coisa pra rico. Sem a menor possibilidade. Ele era apenas um jovem estagiário com pinta de futuro fotógrafo..Melhor seria ficar em simples e aconchegante 'hotelzinho simplório" mesmo. O discontraído albergue Oto foi a sua escolha. A dona, a senhora Atezumi, muito simpática e sorridente, não parava de tentar falar ''That beautiful eyes" com um sotaque engraçado. A verdade era que Brian não entendia quase nada do que elea falava, mas ainda tinha tempo para tentar ensiná-la. Tempo era o que ele mais tinha durante aquelas semanas.
Desde o primeiro instante que pisou naquele país, Brian teve a sensação de estar em lugar igual às suas imaginações de infãncia. Cores, músicas e olhares curiosos desvendando seu cabelo loiro e seus olhos azuis. Era tão evidente assim que ele era estrangeiro americano? Era engraçado o jeito doce e ao mesmo tempo distraído do japoneses. Um passeio pelas ruas de Tóquio (em japonês 東京都, Tōkyō-to) fez ele perceber isso e muitas outras coisas. As japonesas olhavam para ele e riam o tempo todo. Faziam gestos estranhos com as mãos e soltavam risadinhas tímidas como se estivessem diante da pessoa mais engraçada deste mundo. De fato, ele era um perfeito estranho no ninho. Mas estava se divertindo muito. Com certeza aquelas férias seriam as melhores de todas.
A ilha de Tóquio parecia gigante diante de tantas novidades, da arquitetura futurista e a música que embalava a cidade moderna. Era incrível como os japoneses eram viciados em música. Um passeio pela manhã nas ruas pop dessa cidade deixou Brian eufórico. Linda manhã. Ar puro. Flores por toda parte. Muitas flores. Roseiras e canteiros repletos de jarros. Um lindo espetáculos de cores e de cheiros.
É claro que Brian tinha levado a sua câmera nova para registrar cada momento da cidade. Ele não parava de clicar e de observar a paisagem. De vez enquando a música era interrompido pelo barulho das buzinas dos carros. E muitos carros. Incrível a grande quantidade de carros e de pessoas que andavam sem parar. Era como se a cidade nunca dormisse. Era como se as pessoas estivessem sempre inventando coisas novas. Brian era a única cabecinha loira no meio de tantos olhinhos puxados e suas cabeleiras naturalmente negras e lisas.
Ele saía tirando fotos e mais fotos de todo mundo como se fosse uma criança com sua primeira câmera nas mãos. Queria descobrir o que mais podia encontrar naquela cidade fascinante. O tempo que passou estudando e trabalhando em Nova Iorque nao foi suficiente para que conseguisse tirar todas as fotos possíveis que imaginara. Talvez pelo fato de ter nascido lá e já conhecer absolutamente tudo sobre sua cidade natal. Os novaiorquinos estavam sempre ocupados, correndo, tropeçando, trabalhando, gritando e olhando os números da bolsa de valores.
Descobrir novas culturas estava deixando Brian mais oriental do que nunca.
Andando pelas ruas, ele nem percebeu que passava da hora do almoço. A confusão de estar um dia à frente do resto do mundo ainda embaralhava a cabeça dele, que nunca sabia em que tempo real estava. Era engraçado, mas a hora de comer estava ligado à hora exata que a barriga começava a roncar. Este era seu sinal de aviso de que estava na hora de se alimentar. Péssimo hábito que adquiriu. Sem contar com os temperos estranhos que adorou se acostumar. Definitivamente a culinária japonesa se tornara a sua preferida.
Com cinco filmes extras no bolso e muita disposição para fotografar sem parar, Brian ia descobrindo as ruas da cidade mesmo sem entender absolutamente nada do que estava escrito nas placas. Certamente deveria haver tradução na língua inglesa, afinal, não era a mais falada no mundo? Imaginou. Mas não no Japão, “o lugar mais japonês do mundo”. Claro!
De repente, estava em uma rua silenciosa. Muros pequenos. Casas engraçadas. Não se ouvia um só barulho. A luz do sol esquentava as lentes da câmera e começava a fazer um suave calor. Se fosse em NY, estaria derretendo de suor no summertime. Sentiu vontade de andar para observar as casas. Quem sabe, tirar outras fotos. Foi o que fez.
Na frente, perto de uma esquina, avistou uma árvore muito bonita. Sem pensar muito, posicionou a câmera para pegar o melhor close. Era linda. Parecia que dançava com o vento aquelas musicas que tocam o tempo todo no centro da cidade. Fazia uma coreografia perfeita. O balanço das folhinhas soprava uma brisa perfumada e deliciosa. As pétalas das flores que caíam no chão formavam um tapete roxo e macio. Claro que Brian estava registrando tudo em sua incansável câmera. Para que disse que estava de férias, esta seria uma forma prazerosa de curtir o tempo de folga.
Mas um grito fez com que o silencio fosse quebrado. E quase a câmera de Brian também. Parecia o grito de uma mulher. Ele saiu correndo e seguindo o som e chegou até uma outra esquina. Brian se abaixou e viu uma mulher caída no chão e outros 5 ou seis homens em volta. Não tinha certeza, mas teve a impressão de ter visto sangue. Pegou a câmera para ver se conseguia ver melhor. A mulher sussurrou algo e o homem chutou-a com tanta força que ela cuspiu ainda mais sangue. Brian tomou coragem e gritou, em inglês, claro:
-Ei, parem!-
Os homens viraram. Brian engoliu seco. Eram sete homens, na verdade. Todos de mascaras nos rostos, menos um. Brian olhou bem para o rosto dele. Era o homem mais horrível do mundo. Tinha a boca cortada parecia ter olhos de fogo. Brian gritou outra vez:
-Deixem ela em paz-
Os homens riam sem parar. Começaram a falar sem parar e, claro, que ele não estava entendendo nada do que estavam falando. Foi nesse exato momento que Brian decidiu que quando voltasse de férias iria entrar urgentemente em um curso de japonês.
A mulher gemeu e um dos mascarados voltou para perto dela e puxou uma faca. Brian teve medo. Muito medo, mas não podia deixar uma pessoa ser morta na sua frente. Os segundos que antecederam seu ato de coragem foram os mais longos de sua vida. Até então, péssimo em mira, Brian nem pensou e atirou a sua câmera na cabeça dele e partiu para cima deles. O ‘desmascarado’ com olhos de fogo, abriu a boca enorme e parecia que tinha se transformado num demônio. Sete contra um era covardia, mas Brian começou a atirar tudo que tinha pela mão: celular, relógio, carteira, um livro de bolso que tinha na bolsa, um vidro de vodca que tinha enchido com sake na noite passada, etc. Tudo que podia. Nem se importava em perder os documentos. Queria salvar a vida daquela mulher que nem sabia quem era.
Até que um grito rouco fez com que os homens parassem de tentar matar Brian. Inexplicavelmente, os mascarados, começaram a deixar o local. Brian parecia que havia deixado de respirar até aquele momento de tanto medo. Foram embora. Brian limpou o suor da testa e respirou profundo. Ele estava vivo.
A mulher tossiu e Brian levou o maior susto. Chegou perto dela. Estava muito machucada. Não dava pra ver seu rosto direito. Havia muito sangue. A mulher tentou murmurar uma palavra, mas desfaleceu nos braços de Brian. Ele apavorou. Ergueu-a em seus braços e levou-a até um táxi. Não foi difícil o taxista entender que ele queria ir direto ao hospital. Brian não tinha muitos conhecimentos de primeiros socorros, mas sabia que a respiração dela estava fraca ao tocar em seu pulso. O taxista avisou que chegaram ao hospital. Brian deu 30 dólares e saiu do carro quase correndo. Todos olhavam com espanto. Brian começou a perguntar:
-Alguém fala a minha língua?? Esta mulher está muito ferida. Precisa de um médico urgente. Alguém???-
Alguém de branco apareceu. Devia ser um médico. Algumas enfermeiras aparecerem e trataram de levar a mulher para a cirurgia. Brian ficou tentando entender a situação. Lembrou que tinha deixado suas coisas jogadas naquela rua. Um estalo bateu na sua cabeça e saiu correndo de volta. A cara de espanto das japonesas olhando para ele nada lembrava o sucesso de sua primeira volta pelo centro. Elas se afastavam dele com medo. Depois de um tempo ele foi perceber o porquê: estava com a roupa toda manchada de sangue.
Chegou até a rua e levou o maior susto. Tudo estava no mesmo lugar. Ninguém havia mexido em nada. Incrível. Essas coisas não acontecem em NY! Mas algo lhe chamou a atenção. Havia uma cesta de flores no chão. Lindas flores. Deveriam ser da mulher. E entre as flores despedaçadas no chão, havia uma fita vermelha com um pingente em forma de coração. O pingente estava manchado de sangue. Brian guardou o cordão e pegou uma rosa ainda inteira, quase murcha. Guardou tudo dentro da bolsa e voltou para o hospital. Ela ainda estava na sala de cirurgia. Esperou.
Sentado numa cadeira não muito confortável, Brian dormiu um pouco. Um ronco no estômago fez com que despertasse rapidamente. Asssustado, perguntou para primeira enfermeira que passou na sua frente:
-Moça, onde está aquele senhora que eu trouxe?? Ela estava muito ferida!-
-Sim,senhor. Ela está muito ferida, sim. Já passou por uma cirurgia e está no quarto. O senhor deve assinar aqui. Não se preocupe, ela vai ficar bem-disse a enfermeira em um sotaque estranho em inglês
-Obrigada, enfermeira. Posso vê-la??-perguntou tímido
-Você é parente dela?-perguntou a enfermeira
-Deu para perceber que não!-
-Então, sinto muito-
-Mas eu queria ver como ela estar. Só isso!-
-Nesse caso, posso fazer uma exceção pra você, estrangeiro- disse num tom de piada
-Obrigada, pela preferência- respondeu Brian com outro tom de piada
Brian entrou no quarto e viu que ela estava viva. Que alívio. Chegou a pensar que ela estaria morta. Era um milagre depois de tantos golpes que ela sofreu. Nem queria imaginar o que poderia acontecer a ela se não tivesse por perto. Lembrou da rosa quase murcha que pegou do chão. Colocou dentro de um vaso com água. “Não sei por que as pessoas têm essa mania de colocar flores em vasos com água se morrem em poucos dias. Talvez seja a esperança de permanecerem belas enquanto vivas”, pensou Brian.
Brian aproximou-se da mulher e viu que seu rosto ainda estava muito machucado. Sentiu medo por ela. Era como se estivesse prevendo um novo atentado contra ela. Lembrou que sua câmera tinha a prova do crime. A foto dos mascarados. Pegou a sua câmera e foi correndo para revelar as fotos. Sabia que podia fazer isso mesmo depois dela ter sido arremessada várias vezes.